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Consciência negra: como vencer o preconceito racial?

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Se você é negra, sabe que hoje é o dia da consciência negra. Se você não é negra, mas é brasileira, também sabe que dia é hoje. Por isso esse post foi escrito para todas as mulheres brasileiras.

A ideia é responder à questão é: o que fazer com essa consciência negra? Neste post, preparamos uma reflexão em homenagem a essa data. Confira!

O que fazer com a liberdade quando não se tem educação?

Libertar não pode ser apenas conceder a liberdade em um papel. Libertar tem a ver com munir o outro de condições para que possa escolher. Ter a opção de uma nova vida e de uma maneira diferente de vivê-la.

Foi isso o que faltou aos negros quando foi assinada a lei áurea. Eles sabiam ser escravizados ou lutar contra a escravidão. Eram essas as duas opções de vida para quem tinha origem africana.

A partir do momento em que se tornaram cidadãos livres, um leque de oportunidades foi aberto. No entanto, eles não faziam ideia do que ele vinha a significar.

O fato é que muito negros continuaram trabalhando para seus antigos donos. Agora, sem açoites e com um salário que mal dava para se alimentar. Retornou-se a história do feudalismo na qual os empregados deviam ao patrão a estadia e a alimentação.

Como conquistar o respeito pela consciência negra?

A libertação dos escravos no Brasil mudou apenas no papel e na diminuição dos castigos físicos. O que nos mostra que respeito é algo a ser conquistado. E é bem por esse ângulo que devemos entender o dia da consciência negra. O negro não tem que pedir respeito, tem que conquistá-lo.

Não é a raça que determina o sujeito, mas a forma de cada um lidar com ela.

O dia da consciência negra deve ser tido como um momento para reflexão. Para que a sociedade possa refletir um pouco sobre como vem tratando as pessoas ao seu redor.

O homem mais poderoso do mundo de 2009 a 2017 era negro. E Barack Obama não foi eleito presidente dos Estados Unidos por ser negro. Foi eleito por ser inteligente, astuto e carismático. Ele é o exemplo de que quando você sabe quem você é, ninguém tem como lhe discriminar.

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Quais as opções para vencer o preconceito?

Aqui não falamos que o preconceito não existe. Ele existe sim e está escancarado para quem quiser ver. A questão que levantamos é a de que quando você está bem consigo mesmo, o meio exterior lhe atinge em uma proporção muito menor.

Você pode passar o resto da sua vida lutando por ser negra ou pode aceitar que você é negra e viver a sua vida com outro foco. Pode ser uma empresária, uma administradora ou o que você quiser ser.

Não precisa justificar o tempo todo o seu cabelo, os tipos de roupa que combinam com o seu tom de pele ou mesmo o quanto o mercado é injusto com as mulheres negras. 

Porque as políticas afirmativas são importantes?

O mercado é injusto e ponto. É injusto com as mulheres e ponto. É injusto com todos os tipos de minoria. E até aí todo mundo sabe. Agora, os negros compõem 51% da população brasileira. Matematicamente não são minoria.

No entanto, há uma diferença de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Daí a importância das políticas afirmativas. A ideia é de que elas sirvam de trampolim para que aqueles que não têm condições socioeconômicas possam ter acesso à educação. 

Somente por meio da educação é que o ser humano pode, de alguma maneira, se impor. Por isso a luta dos governantes para piorar o sistema de ensino ao invés de melhorá-lo. A educação traz o senso crítico, que é a capacidade de analisar uma mesma situação sob diferentes ângulos.

Se o Brasil for um país com pessoas que tenham senso crítico, haverá a consciência de que o respeito é um dos pilares da relação com as outras pessoas. E que uma sociedade sem respeito, não é uma sociedade, mas uma multidão sendo manipulada.  

Com o senso crítico, tem-se a ciência de que os comportamentos sociais são aprendidos. E, no caso do racismo, pode-se tomar como verdadeiras, as palavras de Nelson Mandela quando diz:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.

Até quando teremos preconceito no Brasil?

A sociedade que colonizou continua a fechar os olhos para o número de negros no Brasil pelo fato acreditar que os negros não se autoaceitam. Isso pode ser visto no racismo que é colocado em frases comuns no cotidiano. Dizer que cabelo bom é liso e não crespo; que as ações malfeitas são “coisa de preto”, e assim, sucessivamente.

É preciso saber que a raça não lhe define como sendo melhor ou pior, assim como a cor dos olhos ou o tipo de cabelo. Tudo isso se origina de uma colonização que já passou. É necessário deixar esses conceitos para traz e se tornar adepta das ideias da atualidade.

Você merece respeito e ponto. Se for desrespeitada, denuncie. É seu direito ser tratada bem. Não precisa ter vergonha em denunciar. Quem tem que ter vergonha é quem cometeu o racismo. Como disse Lázaro Ramos: “Racismo é crime e ponto final”.

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Seja respeitada pelo que você é e não pela raça que possui. Se é negra, assuma-se como negra. Faça o que quiser com seu cabelo e com a sua roupa. E pare de pedir, exija respeito. Não por ser negra, mas por também ser negra.

Mude sua atitude frente ao racismo, denuncie sempre que se sentir desrespeitada. Faça a sua vida parar de girar em torno do preconceito e passar a girar em torno do que você quiser.

Já que você não pode mudar as pessoas que são racistas, afaste-se delas. Foque em se amar e  deixe para lá as pessoas que não lhe fazem bem.

O dia da consciência negra é uma data propícia para refletir a respeito de quem você é e de quem você quer ser. Aproveite o momento de reflexão e descubra como ser uma mulher empoderada.

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